Além do aumento da renda, o presidente da Abac, Paulo Roberto Rossi, aponta a segurança do consumidor no emprego, estabilidade econômica e a maior atenção ao planejamento financeiro como fatores que influenciaram o crescimento do mercado. E o setor deve continuar aquecido neste ano. A previsão é de alta de 7% a 8% nas vendas de novas cotas.
O aumento dos preços dos produtos também influenciou a alta do tíquete médio, na opinião do professor de administração da ESPM, Adriano Gomes. Principalmente dos imóveis, que valorizaram em média 34,19% na capital paulista em 2010, conforme o Sindicato da Habitação (Secovi-SP).
“O preço dos imóveis disparou, situação que contribui para o aumento da cota do consórcio. As pessoas precisam de mais dinheiro para comprar”, explica Gomes. A cota média dos consórcios imobiliários subiu 14%, de R$ 83,2 mil para R$ 94,9 mil.
O advogado Luiz Carlos Duarte da Silva, 56 anos, é um dos adeptos do consórcio de imóveis. Ele ainda tem 12 anos de parcelas, mas tem planos de começar a dar lances este ano para tentar resgatar o crédito para a compra da casa ou ter a sorte de ser contemplado. “Optei pelo consórcio como alternativa ao financiamento, que acaba saindo muito caro por causa dos juros”, conta o advogado.
Luiz Carlos da Silva contratou o consórcio para comprar um imóvel (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
Outros bens - No caso dos eletroeletrônicos, a evolução tecnológica também incentiva a troca dos bens. “Antes o consumidor queria uma televisão de plasma. Hoje ele quer uma deLED e depois vai querer uma 3D”, destaca Rossi. Outra situação característica dos eletroeletrônicos é a quantidade de bens adquiridos. Antigamente, uma cota era destinada para a compra de um aparelho. Hoje, é utilizada para adquirir vários produtos.
Quem entrou em um consórcio para compra de um veículo também optou por um valor maior no último passado. A cota média aumentou 17,2%, de R$ 33.821 para R$ 39.635. O designer de mídias digitais André Cardoso, 30 anos, escolheu o consórcio como forma de adquirir um carro. Ele começou a pesquisar as opções de compra em dezembro, mas viu que pagaria R$ 37 mil por um automóvel de R$ 24 mil devido aos juros. “Ia sair muito caro para financiar.”
Na opiniã do professor de economia da Fecap, Paulo Eduardo Palombo, o consórcio é uma modalidade positiva para quem não tem dinheiro para comprar à vista e não quer entrar em um financiamento. Porém, é importante não comprometer mais que 30% da renda. “O ponto negativo é a taxa de administração, mas o consórcio é uma forma do consumidor se comprometer em poupar determinado valor”, afirma Palombo.
Para o professor Adriano Gomes, o problema do consórcio é a taxa de administração entre 4% e 10%, já que parte da poupança ficará retida com a administradora. Ele aconselha o consumidor a ter disciplina e colocar a quantia que iria para o consórcio na poupança. Ou até investir no Tesouro Direto. “Taxa de administração por taxa de administração, é melhor aplicar em títulos públicos.”
Rossi lembra ainda que o consórcio é direcionado quem quer fugir dos juros e não têm pressa de adquirir o produto.

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